Como efetivar a avaliação nas condições atuais do ensino? - Jornal de Colombo

Como efetivar a avaliação nas condições atuais do ensino?

Planejar atividades educacionais para as famílias durante a pandemia não foi uma tarefa fácil. E se tratando de avaliação, o assunto torna-se ainda mais complexo. É evidente que o novo modelo de ensino traz consigo dúvidas frequentes: É possível avaliar a criança que não vejo? Como avaliar atividades realizadas pelos pais? Como avaliar atividades em

Planejar atividades educacionais para as famílias durante a pandemia não foi uma tarefa fácil. E se tratando de avaliação, o assunto torna-se ainda mais complexo. É evidente que o novo modelo de ensino traz consigo dúvidas frequentes: É possível avaliar a criança que não vejo? Como avaliar atividades realizadas pelos pais? Como avaliar atividades em branco? Preciso mesmo avaliar?

Há quem diga que avaliar deveria ficar em segundo plano neste período, ou que é quase impossível realizar tal ação. Mas há controvérsias! Avaliar neste momento é um ato de respeito e reflexão sobre o que foi proposto pelos professores e o que foi executado pelas famílias com a criança. Em primeiro lugar, para que a avaliação ocorra de forma efetiva é preciso desmistificar que “o ano está perdido”. Pois, não há perspectivas de retorno, e a tendência é que o ensino remoto continue num outro formato, o Ensino Híbrido.  Por isso, a avaliação torna-se uma ferramenta poderosa capaz de aproximar e de despertar o interesse das famílias sobre a aprendizagem da criança. Nesse sentido, ao pensar em avaliação também é necessário romper com a ideia de que somente a criança faz parte deste processo. A análise da participação de todos os envolvidos torna-se imprescindível. Vale ressaltar que avaliar não é rotular, corrigir, dar “nota”. 

De acordo com Jussara Hoffman, avaliar é interpretar. Uma atividade em branco, por exemplo, revela uma possível dificuldade na execução, seja ela por falta de materiais, por não compreender a proposta, por não interessar ou desafiar a criança ou até mesmo por não estar de acordo com seu nível de desenvolvimento. Um “NÃO FEZ” não diz nada sobre a criança. Outro exemplo comum são aquelas atividades perfeitas realizadas pelos pais. Embora não seja o recomendado, eles se preocupam com a estética, com os detalhes, com o erro. Às vezes a preocupação é tanta em cumprir com os prazos que acabam realizando.  Não os julgue, oriente-os e assim terá relatos precisos dos mesmos que irão te auxiliar durante a avaliação. Orientá-los sobre a importância do erro e da espontaneidade da criança em seus registros, pinturas ou desenhos é uma ótima oportunidade para estimular e fortalecer a participação das famílias.

Por fim, sobre avaliar a criança que não vejo, é necessário buscar fundamentos teóricos que venham subsidiar esta análise. Avaliar exige esse domínio de Teoria e Prática. Avaliar a criança na sua ausência só é possível desde que se tenha uma mudança no olhar e na organização das ferramentas avaliativas (portfólios, fotos, vídeos, relatos dos responsáveis e da criança), sobretudo, na metodologia de ensino. Nesse sentido, a pedagogia por projetos ganha força para os próximos anos e a avaliação mediadora defendida por Hoffman parece ser o caminho para efetivar uma avaliação de qualidade, pois permite um olhar sensível e reflexivo sobre as hipóteses construídas por todos os envolvidos no processo: escola, professor, família e o educando. Lembre-se: fotos, vídeos, atividades de registros, pinturas, desenhos, recortes e colagens e até mesmo os relatos dos pais revelam informações que precisam ser interpretadas e não apenas corrigidas (certo/errado) ou vistadas (lindo/parabéns).  Ao final de tudo a avaliação apontará novos caminhos, e as práticas de ensino serão repensadas e modificadas para que a aprendizagem se torne mais significativa e de fato transformadora.

Suelen Prestes Coutinho do Nascimento é professora da Educação Básica e Pedagoga, aluna de especialização em Psicomotricidade e pesquisadora em Alfabetização e letramento com ênfase na Formação de Professores. Atualmente é Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil 4 e 5 anos do CMEI Espaço da Criança.

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