A intervenção da psicopedagogia com sujeitos idosos com a doença de Alzheimer - Jornal de Colombo

A intervenção da psicopedagogia com sujeitos idosos com a doença de Alzheimer

A intervenção da psicopedagogia com sujeitos idosos com a doença de Alzheimer

Adriana Antunes da Cruz é professora de primeira etapa do ensino fundamental, com especialização em psicopedagogia clínica, institucional e educação especial

A doença de Alzheimer consiste em um distúrbio cerebral, até então, irreversível e progressivo que afeta sobretudo aspectos da memória do sujeito comprometendo suas habilidades de pensamento, raciocínio e em consequência a realização de tarefas que no seu cotidiano pareciam-lhe ser até um dado tempo de sua vida, de simples execução. Embora, na sua maioria acometam pessoas idosas, existem casos em pessoas jovens.

A ciência não tem respostas as possíveis causas, contudo existem pistas que nos dão uma certa direção da relação de alguns fatores que possam estar ligados ao desenvolvimento da doença no indivíduo, entre elas: quadros de depressão, obesidade, sedentarismo, tabagismo, traumatismo craniano, diabetes, componentes genéticos entre outros. Vale ressaltar que são apenas sinais de que algo poderia estar associado a esta patologia, contudo ainda é uma doença misteriosa.

De que maneira a Psicopedagogia poderá contribuir no tratamento do sujeito com a doença de Alzheimer?

Se o aspecto da memória é o mais afetado no avanço da doença de Alzheimer, será de grande valia que o trabalho do psicopedagogo esteja voltado à memória ainda preservada, e por que não, aquela da qual não se sabe a razão pela qual se “perdeu” no tempo de vida do sujeito. Seria também no lugar do “não saber” que o algo poderá surgir.

Consideremos que muito dessas memórias foram marcadas pela via dos sentidos do indivíduo, as músicas ouvidas e cantadas em algum tempo, os aromas e cheiros percebidos e reconhecidos, o toque que traz memórias de sensações e sentimentos, o gosto que vem pela via do paladar e não menos importante a tão dita PALAVRA com sentido e sobretudo as que nos parece não ter sentido algum.

Tudo passa pelos tempos de constituição do sujeito, portanto para além do corpo fisiológico temos um corpo lógico a ser considerado num trabalho de intervenção, inclusive na clínica psicopedagógica. Nesse trabalho o profissional poderá se utilizar de “objetos” dos mais variados e disponíveis, como jogos, músicas, brinquedos, literatura, pintura, modelagem, movimentos, brincadeiras entre tantos outros que despertem o “olhar desejante” do sujeito em questão. Pela via dos sentidos e da palavra poderemos talvez, em muitos momentos, ressignificar as alegrias e dores da vida que constituiu uma memória que por alguma razão escapa a consciência.

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