Os desastres causados pelas chuvas e a falta de políticas públicas habitacionais - Jornal de Colombo

Os desastres causados pelas chuvas e a falta de políticas públicas habitacionais

Os desastres causados pelas chuvas e a falta de políticas públicas habitacionais
Foto: Governo do Rio de Janeiro

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br

Infelizmente a semana foi marcada pela tragédia que atingiu a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, em especial o município de Petrópolis. As fortes chuvas do último dia 15 de fevereiro transformaram a região em um cenário de total destruição. Até a conclusão desta coluna, 208 pessoas haviam perdido suas vidas e dezenas de famílias que tiveram suas casas literalmente e totalmente destruídas estavam desabrigadas.

O cenário parece se repetir, pois menos de dois meses atrás o mesmo ocorria no Estado da Bahia, onde somente no mês de dezembro 17 pessoas morreram vítimas das fortes chuvas e mais de 4 mil ficaram desabrigadas. Em janeiro, a situação não foi diferente, porém, desta vez, em São Paulo, onde 24 pessoas morreram e cerca de 1,5 mil ficaram desabrigadas.

Apesar das regiões e épocas serem diferentes os três fatos escancaram um enorme e crônico problema brasileiro: a falta de políticas públicas habitacionais adequadas.

É fato que muitas destas pessoas estão em lugares marginalizados, sem infraestrutura, muitas vezes em regiões de risco, ocupando tais locais de forma irregular. Mas elas só estão lá pela simples e clara falta de opção.

As nossas cidades estão crescendo cada vez mais e a população mais carente está sendo expulsa dos centros urbanos, locais onde os metros quadrados estão cada ano mais caros, e sendo literalmente jogadas às margens das cidades, onde o planejamento, a infraestrutura urbana e as políticas públicas não conseguem chegar ou chegam tarde demais.

Aliando isso ao claro crescimento das variantes climáticas, causadas pelos fatores já amplamente conhecidos como o desmatamento, geração de lixo, entre outros, criam a fórmula perfeita para desastres como estes serem cada vez mais comuns e mais fortes.

É preciso fortalecer áreas de especial interesse social – regiões nas quais aplicam-se regras de uso e ocupação do solo especiais voltadas para a democratização do acesso à terra; fortalecer as políticas de financiamento habitacional social; criar políticas que diminuam os impactos ambientais causados pelos grandes centros urbanos (diminuição de áreas verdes, canalização de rios, desmatamento, entre outros), criando, por exemplo, mais áreas verdes, uso do IPTU verde; combater a exploração comercial clandestina de tais áreas; entre diversas outras ações.

O trabalho certamente não é fácil. Mas é possível e urgente.

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