Palavra, alfabetização e letramento - Jornal de Colombo

Palavra, alfabetização e letramento

Palavra, alfabetização e letramento
Foto: Grupo Ignição Educacional

Adriana Antunes da Cruz é professora de primeira etapa do ensino fundamental, com especialização em psicopedagogia clínica, institucional e educação especial

Caro leitor, vamos repensar um pouco a importância da “PALAVRA” no processo de alfabetização e letramento. A partir dessa reflexão algumas circunstâncias do tempo de alfabetização e letramento poderão ter significativo avanços. Faço aqui meu convite. Qual a importância da palavra escrita, ouvida e sentida? Boa leitura!

Há muito tempo, educadores e estudiosos nos mais diversos lugares do mundo, pensam e analisam os processos e caminhos para alfabetização e letramento de crianças, jovens e adultos que, em seu tempo de infância encontraram barreiras das mais diversas na sua escolarização.

A partir do meu percurso pessoal e profissional é que tenho pensado a função da palavra como uma das manifestações de linguagem e de como ela se inscreve na subjetividade de cada um. Não pensemos apenas em símbolos e sinais gráficos.

Para além disso temos o que acredito ser partícipes na alfabetização, os três tempos do sujeito como nos fala tão incrivelmente Lacan, o imaginário, o simbólico e o real. É por esse percurso que coisas se inscrevem, portanto creio que a alfabetização perpassa e constitui-se nesses três tempos também.

Seria então possível um educador se utilizar da palavra do sujeito a fim de buscar o que se encontra e o que se desencontra rompendo barreiras que impedem a caminhar de cada sujeito em seu processo de alfabetização e letramento? Penso que sim, para além de compreender um conjunto de signos e símbolos, ou seja, o próprio alfabeto, é preciso dar “contorno” ao que o sujeito fala na sua singularidade.

Na prática, seria como pensar o que é um objeto qualquer para além de sua representação escrita. O que ele pode perceber, identificar e especialmente sentir a partir do que se é escrito e representado, seja pelas letras, pelas primeiras representações (garatujas) e também o desenho. Nada deveria ser descartado pelo professor alfabetizador, pois é a partir dessas pistas que acorrem o passo a passo da alfabetização. Em que momento as intervenções relacionadas a linguagem escrita devem acontecer?

Acredito que pode ser nas próprias relações de escrita que se encontram e desencontram também os signos e sinais gráficos. Podemos pensar como por exemplo, o fato de que as letras se repetem em diferentes situações de escrita bem como, as variações fonéticas nelas presentes.

Seria como observar que na palavra ESCOLA E ESCADA, algo se repete e assim sucessivamente em outras palavras. Refletir, observar, repetir, reescrever palavras na sua representação gráfica e para além dela como se apresenta inscrita em cada indivíduo pode ser um excelente caminho.

Deixemos nossas crianças e estudantes escreverem e se inscreverem a partir de seu próprio universo. Coisas incríveis e surpreendentes podem acontecer e deu-se a PALAVRA.

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