História no Jornal - Ucrânia: a guerra das armas e das palavras - Jornal de Colombo

História no Jornal – Ucrânia: a guerra das armas e das palavras

História no Jornal – Ucrânia: a guerra das armas e das palavras
Foto: REUTERS/Viacheslav Ratynskyi

A coluna “História no Jornal” desta semana foi escrita por Tiago Wolfgang Dopke, Professor de História do IFPR de Colombo

O atual governo da Rússia, na pessoa do presidente Vladimir Putin, contesta o uso da palavra “guerra” para se referir à invasão da Ucrânia que vêm sendo perpetrada desde o dia 24 de fevereiro. Segundo Putin, o que está sendo feito é uma “operação militar especial para desnazificar e desmilitarizar a Ucrânia”. Essa justificativa dada pelo presidente russo, tacanha e generalizadora, merece uma análise histórica, afinal, está servindo para legitimar a invasão.

Para compreendermos o que Putin quis dizer com “desnazificar” a Ucrânia, temos que recuar à década de 1920, quando a União Soviética incorporou aquele país. Sob o comando do ditador soviético Josef Stalin, o povo ucraniano amargou períodos de perseguição e de fome, incluindo a morte de milhões de pessoas durante a fome extrema no Holodomor (expressão ucraniana que significa “matar de fome”). Toda essa situação gerou uma desconfiança dos ucranianos em relação aos russos, apesar dos laços étnicos e culturais entre os dois povos.

Essa desconfiança fez com que muitos ucranianos, liderados por um sujeito chamado Stepan Bandera, apoiassem a invasão alemã perpetrada pelos nazistas no início da década de 1940, vendo nela uma forma de se livrar dos dominadores soviéticos. Ledo engano: o domínio nazista foi tão ou mais cruel do que o soviético.

Recentemente, em 2014, essa velha história voltou à tona: o então presidente da Ucrânia, Victor Yanukovytch, muito ligado à Rússia de Putin, foi derrubado do poder pela Revolução da Praça Maidan, que acabou levando à aproximações cada vez maiores com a Europa Ocidental e a um distanciamento da Rússia. O movimento revolucionário contou com o apoio de grupos dos mais diversos espectros políticos, entre eles, grupos neonazistas que ressuscitaram a figura de Stepan Bandera e os símbolos fascistas ucranianos.

O problema é que Putin generaliza a questão e afirma que todo o atual governo ucraniano é nazista, o que simplesmente não é verdade. Mas é de generalizações que vivem os discursos dos ditadores.

Posts