Breve análise histórica da mulher na sociedade - Jornal de Colombo

Breve análise histórica da mulher na sociedade

Breve análise histórica da mulher na sociedade

Na coluna da semana, a psicóloga Izabel Linares traça uma breve análise histórica do papel da mulher na sociedade

Sabe-se que desde a antiguidade até os dias atuais, a mulher tem sido ao mesmo tempo admirada e temida, como consequência foram e ainda são reduzidas a objetos de domínio e submissão, sendo menosprezadas e em muitas situações até mesmo aniquiladas.

A história nos mostra que no séc. IV as mulheres atenienses viviam para administrar a casa e para o domínio da família. As Mulheres espartanas tinham poder de controlar os negócios externos, suas casas e poucas atividades comerciais.

Na Grécia, séc. VIII as mulheres tinham uma importância para as relações de poder dos reinos gregos, pois através dos laços matrimoniais consolidavam ou destruíam alianças políticas.

Em Roma, no período republicano as mulheres colaboravam com o marido na administração das casas, festas e vida pública. No período Imperial a mulher romana estava sempre sob o poder de um homem, fosse ele marido, tutor ou chefe do lar.

Durante os séculos XIV a XVI as mulheres que trabalhavam eram desvalorizadas, mas exerciam ainda assim suas atividades, pois as necessidades de sobrevivência exigiam. A remuneração era sempre inferior à dos homens. Nessa época os homens estavam em crescente desenvolvimento, intelectual, enquanto as mulheres continuavam estagnadas.

Até o século XIX não se tinha registro de mulheres frequentando uma universidade. Frente a esse tratamento foi que as mulheres começaram a contestar a desigualdade de gênero no que diz respeito o acesso ao trabalho, sua valorização e à educação.

Durante a revolução francesa, as mulheres passaram a reivindicar fortemente por direitos. A escritora, ativista e feminista Olympe de Gouges, indignada com a sujeição das mulheres propôs a “Declaração dos Direitos da Mulher”, pretendendo dar um lugar social mais digno as mulheres. Ela foi sentenciada à morte, guilhotinada em 1739, sob a acusação de ter deixado de lado os benefícios do seu gênero e tentar ser um homem de Estado. As mulheres francesas não desistiram e continuaram a lutar e, dentre algumas das vitórias alcançadas estava o direito de voto, o feminismo ganhava forças e passava a ser visto como uma ação política organizada.

No século XIX, o capitalismo trouxe consequências para a esfera feminina. Com a implementação de fábricas as mulheres passaram a trabalhar dentro do setor em condições degradantes e com remuneração inferior à dos homens.

Ainda hoje em pleno século XXI, vê-se muito da realidade desfavorável experimentada pelas mulheres há mais de dois séculos. Sabemos da importância dessa luta e de continuar a fazer valer direitos conquistados, pois como dizia Simone de Beauvoir, “basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”.

 

Izabel Linares é Psicóloga (CRP-08/27332), especialista em psicologia clínica e psicanalista em permanente formação. Seu consultório em Colombo fica localizado na Av. Marginal José Anchieta, no 906, às margens do KM2 da Estrada da Ribeira. Contato: 41 98516-3884.

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