A redução do IPI e seu impacto nas cidades - Jornal de Colombo

A redução do IPI e seu impacto nas cidades

A redução do IPI e seu impacto nas cidades

Na coluna desta semana, Gilson Santos fala sobre a redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e o seu impacto nas cidades

Nesta semana alguns veículos da imprensa noticiaram uma eventual análise do Governo Federal em reduzir, e até zerar, o Imposto Sobre Produtos Industrializados, o conhecido IPI.

A redução deste imposto ficou muito conhecida no passado, em especial no governo Lula, em 2012, quando, com a justificativa de estimular a economia, a redução do IPI fez com que o preço dos automóveis caísse em média 10%.

Longe de querer analisar governos, seus créditos e deméritos, até porque é indiscutível a importância de que governos busquem maneiras de estimular a economia, é preciso compreender os impactos de tais ações e, principalmente, a importância de criar políticas públicas que busquem diminuir ao máximo os impactos negativos causados por elas.

Digo isso, pois a redução do IPI gerou um aumento expressivo no número de automóveis. Segundo o IBGE, no ano de 2012, o país possuía cerca de 76 milhões de veículos. Em 2020 este número saltou para 107 milhões.

Na época – lembre-se que estamos falando de 2012 – segundo cálculos da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – Anfavea, a renúncia fiscal (valor que o governo deixa de arrecadar com a redução do imposto) foi de aproximadamente R$ 8,3 milhões por dia. Em valores atualizados seria algo em torno R$18,4 milhões por dia ou R$6,7 bilhões por ano.

Obviamente a aquisição de um automóvel pela população é algo muito positivo. Todos têm o direito de adquirir o tão sonhado carro novo ou usado. Mas é evidente que nossas cidades não estavam preparadas para isso, assim como são claros os impactos causados por tais medidas. Nossas cidades estão literalmente travadas, congestionadas, engarrafadas, entre diversos outros adjetivos possíveis, e isso tem impacto direto na vida das pessoas. Estamos demorando mais para chegar no trabalho, na escola, no serviço e no nosso retorno para casa.

E infelizmente, grande parte disso ocorreu pela falta de investimentos no transporte coletivo. Veja, se você investe R$6,7 bilhões para tornar o carro mais atrativo e não investe nada no transporte coletivo, obviamente as pessoas irão abandonar os sistemas públicos e buscar ao máximo adquirir o carro próprio. O resultado é que temos hoje sistemas abandonados, sucateados, velhos e ineficientes. Paramos no tempo.

Isso acaba gerando uma bola de neve sem fim, pois nossos sistemas não são atrativos. Ninguém gosta de andar de ônibus. Anda por obrigação. E na primeira oportunidade irá adquirir um carro próprio para fugir deste sistema.

A redução do IPI foi e é algo muito importante principalmente na geração de empregos, mas o investimento no transporte coletivo das nossas cidades não pode ser marginalizado e infelizmente, no estado em que chegamos, é urgente.

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