Quando a data comemorativa vira produto - Jornal de Colombo

Quando a data comemorativa vira produto

Quantas vezes você festejou alguma data comemorativa e seu primeiro impulso foi comprar algo para si ou para outros? De quantas dessas datas você conhece a história de origem?  Não é incomum que, com a chegada de datas comemorativas (como o Natal) as pessoas comecem a se organizar para comprar algo que esteja ligado ao

Quantas vezes você festejou alguma data comemorativa e seu primeiro impulso foi comprar algo para si ou para outros? De quantas dessas datas você conhece a história de origem? 

Não é incomum que, com a chegada de datas comemorativas (como o Natal) as pessoas comecem a se organizar para comprar algo que esteja ligado ao significado da data, mas que não necessariamente remonte às suas origens históricas e culturais. Parte dessa problemática se dá pela ligação de tais dias com a Indústria Cultural, a qual converte elementos culturais em produtos, que serão fabricados em massa visando o consumo e o lucro.

Um exemplo muito claro de interferência da Indústria Cultural ocorreu quando a Disney Pixar preparava-se para lançar o longa animado “Viva – A Vida É uma Festa”, de 2017. O enredo do filme gira em torno do protagonista Miguel, um garoto mexicano que viverá uma aventura no tradicional Dia dos Mortos. Na tentativa de aumentar a publicidade da animação, a Disney Pixar tentou comprar o nome da data comemorativa e o tornar sua marca registrada, porém, após críticas do público, a companhia decidiu voltar atrás na decisão.

Com a proximidade do Natal, fica difícil não usá-lo como exemplo de festividade que vem perdendo seus aspectos religiosos e culturais para assumir uma faceta cada vez mais comercial. Segundo Pedro Paulo Funari (professor de história da Unicamp), a Coca-Cola utilizou os meios de comunicação de massa para reimaginar a figura do Papai Noel tal como a conhecemos atualmente, com a intenção de divulgar seus produtos.

Ambas as datas tiveram suas origens e simbolismos instrumentalizados pelo processo de comercialização da cultura. O Dia dos Mortos tem suas origens entre os povos pré-colombianos da América Central, portanto, sua carga histórica é de imensa relevância para virar apenas um produto. Assim como o Natal, que tem suas origens associadas tanto a festivais pagãos para celebrar a fertilidade do solo, quanto às celebrações pelo nascimento de Cristo.

É notável que há uma impossibilidade de fugir completamente desse processo de comercialização, que faz parte do próprio capitalismo. Contudo, é importante consumir de forma consciente, sem deixar as origens simbólicas, culturais e religiosas caírem no esquecimento.

Ana Luiza Cania é estudante do IFPR Campus Colombo e faz parte do projeto História no Jornal, elaborado pelo Jornal de Colombo em parceria com o IFPR, com supervisão do prof. Tiago Dopke. 

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