O jeito colombense de ser feliz - Jornal de Colombo

O jeito colombense de ser feliz

Podemos identificar nas pessoas muitos sentimentos, mas a felicidade parece ser algo difícil de se encontrar atualmente. Talvez alguns não saibam nem o significado da palavra, então, vou ajudar. Por definição, felicidade é: bem-estar, contentamento, satisfação. Esse 2020 foi um ano desafiador para a felicidade de qualquer pessoa, você concorda comigo?  O tema deste artigo

Podemos identificar nas pessoas muitos sentimentos, mas a felicidade parece ser algo difícil de se encontrar atualmente. Talvez alguns não saibam nem o significado da palavra, então, vou ajudar. Por definição, felicidade é: bem-estar, contentamento, satisfação. Esse 2020 foi um ano desafiador para a felicidade de qualquer pessoa, você concorda comigo? 

O tema deste artigo está parafraseando o título do livro “O jeito Harvard de ser feliz” (2012) escrito pelo psicólogo norte-americano Shawn Achor, um dos maiores especialistas sobre a felicidade humana. No livro o autor relata como a maioria dos estudantes de Harvard (considerada uma das melhores universidades do mundo, localizada nos Estados Unidos) apresentavam um quadro de depressão e frustração, em grande parte pela pressão e cobrança a que eram submetidos durante o ano letivo. Eles aprendiam a fazer cálculos e tomar decisões complexas, mas não sabiam lidar com as suas emoções, e após pesquisar mais de 200 estudos científicos envolvendo mais de 275 mil pessoas, Shawn concluiu que a felicidade leva ao sucesso em praticamente todas as áreas da vida: estudos, criatividade, amizade, envolvimento comunitário, casamento, saúde, emprego, carreira e negócios. E sucesso é o que você gostaria de ter, não é verdade?  

Mas como ser feliz no atual contexto?  O conhecido psicólogo e escritor brasileiro, Augusto Cury, afirma que uma criança de 7 anos hoje tem mais informações que tinha um imperador romano ou filósofo grego durante toda a vida, e esse excesso de informações, atividades e o uso exagerado de celular e computador, pode prejudicar a saúde física afetando, por exemplo, a visão e a coluna, pode atrapalhar a boa alimentação, pode alterar a forma como as pessoas se relacionam e se comunicam (alguns tem dificuldade de se expressar pela fala, preferindo o contato pela rede social), e também pode levar ao desenvolvimento do que Cury chama de síndrome do pensamento acelerado, que deixa a mente agitada, estressada, com senso de urgência, consumista, sem paciência e sem tolerância, dificultando a concentração e aumentando a ansiedade. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão. Para piorar, a OMS estima que podem ter triplicados os casos de depressão e ansiedade por causa da pandemia da Covid-19. Nunca na história houve tanta demanda por psicólogos e psiquiatras.  Olhando ao redor, você percebe as pessoas contentes e satisfeitas? Acredito que não. Observamos discussões por coisas pequenas ou mesmo sem motivos, pessoas irritadas, estressadas e sem paciência. 

Até onde esse ritmo de vida vai nos levar? Na correria, fases importantes passam, mas muitos não veem a vida passar. Parece que a felicidade é uma meta inalcançável por estar sempre num futuro que desejamos e nunca chega, ou que já ficou no passado. Por isso é comum se dizer: eu era feliz e não sabia. O livro bíblico de Marcos 8:36, registra uma importante reflexão de Jesus: “Pois, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?”. Mas o que é ganhar a vida? Não sei o que você pensa, mas eu imagino que a melhor forma de ganhar a vida é sendo e fazendo alguém feliz, não apenas pelo que aconteceu no passado ou nos planos para o futuro, e sim agora. 

O que é preciso para ser feliz? Depende, cada pessoa é feliz de um jeito. Não há uma fórmula que sirva para todos. Há pessoas que são felizes mesmo não tendo quase nada e outros são infelizes mesmo tendo muito. Filhos dos mesmos pais,  morando na mesma casa, com a mesma família e compartilhando da mesma situação financeira, podem ser diferentes com relação a forma como percebem e se relacionam com o mundo e com as pessoas, apresentando sentimentos distintos. Uma pessoa feliz não tem o melhor de tudo, mas ela torna tudo melhor, pois ela pensa, enxerga, sente e age de forma diferente e isso não passou desapercebido pela psicologia. 

Até o século XX a psicologia era a ciência que focava seus estudos integralmente na compreensão das anormalidades da mente humana, as doenças mentais, e se desenvolveu conseguindo diagnosticar muitas patologias catalogadas atualmente no Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders – DSM) que está na sua 5ª versão, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria e na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde – CID, publicado pela OMS. 

No final da década de 1990, o psicólogo norte americano Martin Seligman, professor da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos, percebeu que era preciso estudar também o que levava as pessoas ao contentamento, ao bem-estar, à satisfação. E criou para esta ciência o conceito de Psicologia Positiva que é uma abordagem inovadora, que busca técnicas para treinar a mente humana a enfrentar as situações cotidianas com o sentimento positivo. Para ilustrar podemos comparar três tipos de pessoas: com problemas de saúde,  pessoas comuns e atletas.  As pessoas com problemas de saúde mental eram estudadas pela psicologia tradicional, as pessoas comuns e os atletas não eram estudados. Então estudar as pessoas que têm um desempenho superior e aprender com elas seria um grande avanço, certo? Nesta comparação, os atletas seriam as pessoas felizes, que mentalmente possuem um desempenho superior, e isso passou a ser foco da Psicologia Positiva.  

Com o desenvolvimento da tecnologia e da neurociência (ciência que estuda o sistema nervoso), foi possível mapear e observar como os neurônios se relacionam por meio de neurotransmissores, as áreas do cérebro afetadas e os hormônios que entram em ação de acordo com os nossos sentimentos. Foi descoberto, por exemplo, que a meditação, a exposição ao sol e atividades físicas, principalmente as aeróbicas como a caminhada, corrida, natação, dança, pular corda, entre outras, liberam substâncias no cérebro como a serotonina, endorfina, dopamina e a ocitocina, conhecidas como o quarteto fantástico, pois são conhecidos como os hormônios da felicidade. 

Talvez você tenha ficado curioso para saber sobre o que aconteceu com os alunos de Harvard.  Eles puderam se matricular no curso chamado Felicidade, que foi o mais concorrido da universidade americana, e aprenderam técnicas para experimentar as emoções positivas, e ver a vida de uma forma melhor. 

Eu não sei você, mas para mim é incrível imaginar como o corpo humano é uma fábrica, que precisa de alimentos para funcionar, porém ainda mais fascinante é saber que podemos ter excelentes produções, pois temos a liberdade para escolher muitas das matérias-primas que nosso cérebro irá processar. Podemos escolher o que ler, qual filme assistir, o que estudar, qual esporte praticar, a forma como nos relacionamos com as pessoas e até mesmo podemos escolher a forma como experimentamos o mundo por meio da nossa atitude mental. Não é sensacional? Nós podemos educar o nosso cérebro e podemos aprender a ser felizes, e assim mudar a nossa vida e o mundo ao nosso redor. Uma das frases mais famosas de Paulo Freire, filósofo e educador brasileiro, é: “A Educação não transforma o mundo, ela muda as pessoas e as pessoas transformam o Mundo”. Que tal começar hoje a mudança na sua vida para uma vida mais feliz? 

No livro Florescer (2011), o pai da psicologia positiva, Martin Seligman apresenta 5 pilares para o bem-estar, sob o acróstico PERMA (Positive Emotion, Engagement,  Relationschips,  Meaning e  Accompplisment), traduzindo: Emoção Positiva, Engajamento, Relacionamentos, Significado  e Realização.  Vou resumidamente escrever sobre eles: 

Emoção Positiva – de acordo com Seligman, ela ocorre quando buscarmos e cultivarmos sentimentos e hábitos que nos fazem bem, como: a alegria, o bom humor, a gratidão, a esperança (que pode ser chamada de fé pelos religiosos), a admiração, o amor, entre outros, isso eleva o nosso ânimo e passamos a experimentar o que muitos chamam de “o lado bom da vida”; 

Engajamento – envolve questões relacionadas à motivação, foco e dedicação para fazer as atividades, o que Mihaly Csikszentmihalyi, psicólogo húngaro, denomina como flow (fluxo), aquele estado em que você se interessa tanto no que está fazendo que pode até nem ver o tempo passar;

Relacionamentos – A quantidade e a qualidade dos nossos relacionamentos sociais faz uma grande diferença em nossa felicidade, dentro do possível  devemos substituir o contato com as pessoas tóxicas, que não nos fazem bem, por relações com pessoas que ajudam a viver momentos de bem estar;

Significado – procurar uma razão positiva para nossas ações, usar nossas qualidades para algo maior. Você já reparou como nos sentimos bem quando ajudamos alguém ou quando participamos de um projeto que dá bons resultados? Isso gera satisfação, nos deixa feliz;

Realização – As realizações nos mostram que temos controle sobre as situações, elas não precisam ser grandiosas. Que tal fazer uma boa refeição, escrever para agradecer alguém que lhe ajudou quando você precisou ou falar para quem você gosta, o quanto essa pessoa é importante para você?  As boas realizações fazem bem para nós e para as outras pessoas também. 

Vou dar uma dica de boa realização, a partir do dia 22 de Dezembro deverão sair os editais de seleção do IFPR, são cursos gratuitos de ensino médio na área de alimentos, informática e administração e superiores na área de alimentos e informática, com excelentes professores e cultura que incentiva o ensino, pesquisa, extensão, inovação e empreendedorismo. Poderá ser uma ótima oportunidade de mudança de vida por meio da educação, permitindo que você experimente o PERMA. Mas há muitas outras formas de ser feliz em Colombo e região. 

Fique atento para não perder oportunidades. Como eu disse, a felicidade depende de cada pessoa, você poderia fazer uma relação de atividades que lhe trariam satisfação? Que tal olhar ao redor e identificar algo positivo para fazer? Indique este artigo do Jornal de Colombo para um(a) amigo(a) ou conhecido(a), peça para ele(a) ler e relacionar atividades que possam deixá-lo(a) feliz. Dessa forma vamos descobrindo “o Jeito Colombense de Ser Feliz”.    

Ciro Bachtald é professor de Contabilidade, Especialista em Administração Pública, Mestre em Gestão Urbana e atualmente Diretor Geral do IFPR (Instituto Federal do Paraná) Campus Colombo.

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