Afeganistão: cemitério de impérios – Jornal de Colombo

Afeganistão: cemitério de impérios

Os eventos recentes ocorridos no Afeganistão voltaram a atrair a atenção mundial para aquele pequeno país encravado entre o sul da Ásia e o Oriente Médio. Alvo da sanha de diversos impérios desde o século XIX, por conta de suas riquezas minerais e sua posição geopoliticamente estratégica, o país dos afegãos passou a ser chamado

Os eventos recentes ocorridos no Afeganistão voltaram a atrair a atenção mundial para aquele pequeno país encravado entre o sul da Ásia e o Oriente Médio. Alvo da sanha de diversos impérios desde o século XIX, por conta de suas riquezas minerais e sua posição geopoliticamente estratégica, o país dos afegãos passou a ser chamado de “cemitério de impérios”, pois todos os seus conquistadores acabaram por se retirar, exaustos e desorientados, sem compreender as complexidades e os conflitos daquele povo tão antigo e tão diverso. Ainda na antiguidade, Alexandre o Grande teria dito que o Afeganistão era um território fácil de entrar, mas difícil de sair.

Senhores do Afeganistão desde a década de 1840, os britânicos sabiam muito bem que a manutenção daquela colônia era a mais difícil e intrincada de todo o seu vasto império. O maior apologista do império britânico, o escritor Rudyard Kipling, escreveu em 1901: “Se você foi ferido e deixado nas planícies do Afeganistão/ E as mulheres se aproximarem para cortar as tuas partes/ Role em direção ao rifle e exploda os teus miolos/ E vá para o Além/ Como um soldado”. Em 1919 os ingleses deixaram o país.

Em 1979 foi a vez dos soviéticos, que invadiram o Afeganistão como parte dos seus esforços pela manutenção e disseminação do comunismo na Ásia central. A resistência empreendida pelos mujahidins (como são chamados os “guerreiros santos” inspirados pelo espírito de combate islâmico naquele país), apoiados pelas nações inimigas da URSS (principalmente os EUA), foi tão forte que o poderoso exército vermelho terminou por se retirar em 1989, humilhado. A derrota soviética foi uma das causas do colapso da potência comunista em 1991.

No presente, assistimos à derrocada da presença dos EUA naquele território. Vinte anos de presença americana não foram o suficiente para estabelecer um sistema democrático no país. A retirada do exército de Biden se dá concomitantemente com o retorno dos fundamentalistas do Talibã, que nunca foram completamente vencidos, apenas aguardavam nas montanhas. Como diz um velho ditado afegão: “os estrangeiros têm relógio, nós temos tempo”.

Tiago Wolfgang Dopke é professor de História do IFPR Campus Colombo e escreve para o projeto História no Jornal, desenvolvido no Campus Colombo, em parceria com o Jornal de Colombo. 

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