Planejamento para reduzir os impactos da pandemia - Jornal de Colombo

Planejamento para reduzir os impactos da pandemia

Em uma análise superficial, não há dúvidas de que a pandemia mudará nossa vida em sociedade de forma permanente. O “novo normal” já não é mais novo. É uma realidade. Mas precisamos compreender até onde vão estas mudanças e como elas poderão nos afetar. Analistas do mercado financeiro são especialistas neste assunto porque obviamente existe

Foto: Coyot/ Pixabay

Em uma análise superficial, não há dúvidas de que a pandemia mudará nossa vida em sociedade de forma permanente. O “novo normal” já não é mais novo. É uma realidade. Mas precisamos compreender até onde vão estas mudanças e como elas poderão nos afetar. Analistas do mercado financeiro são especialistas neste assunto porque obviamente existe um interesse econômico em tudo isso. Mas e os impactos sociais e ambientais? Certamente eles existem e são tão importantes quanto os demais. O aspecto econômico é muito bem conhecido. Aumento da pobreza,  da criminalidade e  do desemprego. Estes refletem diretamente na educação, na segurança e na saúde da população. Retardam ainda mais o crescimento do país trazendo todo o tipo de sofrimento que já conhecemos.

No aspecto ambiental, o momento provavelmente aumentará a busca por produtos, serviços e condições sem regulamentação, que são mais baratos e consequentemente oferecem mais riscos. É o caso de ocupações irregulares, produtos piratas, extração de insumos de forma clandestina e até a diminuição nos investimentos em produtos mais sustentáveis. Fato é que a sustentabilidade tem um preço e, em um momento de crise, muitos vão preferir deixar este investimento de lado aplicando seus recursos em formas mais baratas de consumo. O grande problema disso tudo é que a relação causa X consequência, é uma “bola de neve”. Por exemplo, pessoas mais pobres se mudam para locais com maior risco, locais de risco são mais suscetíveis a diversos fatores como enchentes, que trazem mais destruição, sofrimento e pobreza para estas famílias. 

Mais uma vez o planejamento entra como um fator decisivo para combater este impacto. Cidades bem planejadas evitam que pessoas pobres sejam marginalizadas do contexto urbano. Oferecem alternativas de consumo e deslocamento mais baratas e eficientes como o Transporte Coletivo de qualidade e até o uso da bicicleta como modal, lembrando que a bicicleta requer também investimentos em infraestrutura e segurança. Garante um saneamento básico universal. Garante acesso aos demais serviços públicos como  saúde, escola e segurança, além, é claro, de oferecer espaços como parques, praças e bosques, para todos, que foram fundamentais neste momento de pandemia e continuarão sendo, entre diversos outros fatores. 

Todo este planejamento, que já não é fácil em tempos normais, se torna ainda mais difícil agora, mas, ao mesmo tempo, mais importante. 

A pandemia certamente irá impactar aquelas pessoas mais carentes. E é nelas que devemos concentrar nossa atenção e fazer público sua fonte de apoio e encaminhamento.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciência Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br

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