Maio Amarelo e o planejamento das cidades - Jornal de Colombo

Maio Amarelo e o planejamento das cidades

Chegamos no mês de maio. Um mês tradicionalmente conhecido pelo movimento Maio Amarelo, que busca chamar a atenção da sociedade para o alto número de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo.  A Organização Mundial da Saúde estima que todo ano cerca de 1,9 milhão de pessoas são vítimas fatais de acidentes de

Chegamos no mês de maio. Um mês tradicionalmente conhecido pelo movimento Maio Amarelo, que busca chamar a atenção da sociedade para o alto número de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. 

A Organização Mundial da Saúde estima que todo ano cerca de 1,9 milhão de pessoas são vítimas fatais de acidentes de trânsito em todo o planeta. Sendo a quinta maior causa de mortes e a primeira entre jovens de 15 a 29 anos, representando um custo de US$ 518 bilhões por ano ou cerca de 1% a 3% do Produto Interno Bruto dos países. 

E mais uma vez o Planejamento Urbano entra como peça fundamental neste combate. Comumente a questão dos acidentes é relacionada à irresponsabilidade de condutores, principalmente no desrespeito às normas de trânsito. Mas é preciso colocar em discussão o número de acidentes causados também pelo mal planejamento das cidades. Isso envolve questões como velocidade de tráfego em áreas altamente adensadas, falta de passarelas, falta de ciclovias, condições da via e até mesmo priorização de determinados modais de trânsito. Você sabia, por exemplo, que menos de 10% das mortes estão relacionadas ao Transporte Coletivo? Quando você cria condições e incentivos para que as pessoas deixem de utilizar o automóvel ou outros modais e passem a utilizar o ônibus, pode reduzir drasticamente o número de acidentes. 

Ao mesmo tempo, ciclistas e motociclistas representam mais de 50% destas mortes. Uma clara ligação com a falta de condições de trafegabilidade destes modais pelas cidades. Em um texto meu publicado nesta coluna, há algumas semanas, lembrei do caso de Amsterdã, conhecida como a capital mundial da bicicleta, e como as mortes no trânsito culminaram em fortes manifestações que mudaram para sempre a maneira da cidade pensar e se comportar. 

Muito disso é causado pela invasão dos automóveis nas cidades e a clara priorização deste modal, tirando espaços de calçadas, ciclovias, até mesmo parques e praças, criando largas avenidas que alimentam ainda mais o desejo pela velocidade e passando uma sensação de empoderamento nestes condutores, como se todos os demais devessem respeitá-lo, quando na verdade é o contrário. 

As mortes no trânsito também estão diretamente relacionadas a necessidade de deslocamento das pessoas pela cidade. Quando você cria cidades compactas e conectadas, criando oportunidades e condições de moradia, trabalho e acesso a produtos e serviços de forma equilibrada e espalhada por este espaço, diminui os fatores de risco que contribuem para este trágico número. 

Por estes e diversos outros fatores é que devemos repensar o formato e as condições das cidades. Quebrar alguns paradigmas construídos ao longo dos últimos anos e refletir sobre o que queremos no futuro dos espaços que habitamos e que deixaremos para as próximas gerações. E isso precisa ser agora.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciências Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br

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