Crescer para cima ou para os lados? - Jornal de Colombo

Crescer para cima ou para os lados?

Estudos apontam que nos próximos 30 ou 40 anos, a população deverá começar a diminuir. Mas até lá ainda vamos crescer muito e, consequentemente, nossas cidades também. O que levanta uma preocupação: como será esse crescimento? Como faremos isso garantindo qualidade de vida para nossos habitantes? Essa discussão, obviamente, é muito ampla e envolve diversos

Estudos apontam que nos próximos 30 ou 40 anos, a população deverá começar a diminuir. Mas até lá ainda vamos crescer muito e, consequentemente, nossas cidades também. O que levanta uma preocupação: como será esse crescimento? Como faremos isso garantindo qualidade de vida para nossos habitantes? Essa discussão, obviamente, é muito ampla e envolve diversos fatores, mas uma questão é muito importante. Vamos crescer para cima ou para os lados?

No Brasil, por ser um país de tamanho continental, espaço nunca foi problema, diferente de outros lugares do mundo como o Japão e até mesmo Nova Iorque, se considerarmos a ilha de Manhattan. Em se tratando da nossa realidade, isso faz com que a área urbana da maioria das cidades brasileiras cresça para os lados causando três principais problemas. O primeiro é o desmatamento. Obviamente que essas cidades vão crescendo e invadindo áreas que antes eram verdes, causando os inúmeros e até mesmo irreparáveis problemas ambientais que hoje já estamos enfrentando. O segundo é a falta de estrutura. As cidades vão crescendo rapidamente sem asfalto, sem água potável, sem saneamento e diversos outros serviços básicos deixando a população às margens da civilização.  E o terceiro são as grandes distâncias, fazendo com que pessoas menos favorecidas tenham que buscar moradia em locais cada vez mais afastados e, por consequência, percam horas dos seus dias e recursos, no trânsito. Em 2015 um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), apontou que Curitiba e Região Metropolitana perdem cerca de 3,3% do PIB com deslocamento. Isso é cerca de R$ 800 milhões desperdiçados todos os anos. Imagine o que poderia ser feito com esse dinheiro. No Brasil a média sobe para 4,4%. É muita coisa. 

Uma alternativa seria crescer verticalmente, fazendo com que as pessoas morassem mais próximas dos grandes centros e se deslocassem menos para suas atividades, podendo fazer isso até mesmo a pé ou de bicicleta. O que também exige planejamento e organização. O primeiro desafio é controlar a especulação imobiliária, pois o que impede que pessoas de baixa renda possam morar nos grande centros, certamente é o alto valor cobrado por imóveis nestas localizações, um desafio em qualquer lugar do mundo. É indispensável que serviços como escolas, hospitais, postos de saúde, entre outros, também estejam acessíveis e próximos. Importante destacar ainda a necessidade de se garantir que, apesar da concentração, as cidades respirem com espaços verdes e abertos. Enfim, precisamos pensar nas cidades levando em consideração outras prioridades. A nossa falha hoje é que nossos centros urbanos são pensados, em sua grande maioria, para o automóvel. É mais fácil levar uma rua até a população do que escola, posto de saúde, biblioteca e os demais serviços. E infelizmente nem a rua estamos conseguindo levar direito, já que quando ela chega não está acompanhada de calçadas ou ciclovia, espaços essenciais para a vida das pessoas.

Foto: cegoh/ Pixabay

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