A importância dos Rios na história das cidades - Jornal de Colombo

A importância dos Rios na história das cidades

A história da humanidade conta como os seres humanos sobreviveram durante longos anos apenas caçando animais e coletando plantas, e a importância do domínio da agricultura para a evolução da espécie. Foi por meio da agricultura, que os seres humanos puderam produzir seu próprio alimento e com isso se estabelecer em determinadas localidades mais confortáveis

Foto: José Fernando Ogura/ANPr

A história da humanidade conta como os seres humanos sobreviveram durante longos anos apenas caçando animais e coletando plantas, e a importância do domínio da agricultura para a evolução da espécie. Foi por meio da agricultura, que os seres humanos puderam produzir seu próprio alimento e com isso se estabelecer em determinadas localidades mais confortáveis e seguras. Com a produção de alimentos cada vez maior, as pessoas puderam se dedicar a outras atividades como marcenaria, ferraria, tecelagem, que além de não exigir grandes espaços de terra, potencializaram o comércio. Foi o princípio do que nós chamamos hoje de cidades. Obviamente, naquela época, este conceito não existia. Planejamento de cidades era algo impensável. Não se imaginava rodovias, saneamento, calçadas, enfim. Mas uma coisa era fundamental. A água. As primeiras cidades desenvolveram-se na Mesopotâmia, exatamente em torno do Rio Eufrates, há cerca de 3.500 a.C., assim como muitos outras pelo mundo.

No último dia 24 de novembro, nós comemoramos o Dia do Rio, e eu quis fazer essa pequena introdução para mostrar como os rios sempre tiveram uma importância e conexão direta com o desenvolvimento das nossas cidades. Quando fazemos essa reflexão, inclusive, percebemos que durante 99% da nossa história, com o surgimento dos primeiros homo sapiens, há cerca de 300 mil anos, nós vivemos como nômades e apenas nos últimos 5 mil anos passamos a nos estabelecer em locais que hoje conhecemos como cidades. Ou seja, talvez a nossa dificuldade em conseguir criar cidades planejadas, sustentáveis, inteligentes, seja pelo fato de que este é um conceito muito recente em nossa história e em constante evolução, principalmente, devido os avanços tecnológicos. Mas não deixa de ser curioso e triste, como durante um período da história nós deixamos a importância dos rios de lado e praticamente os sufocamos em nossas cidades. Muito disso certamente ocorreu com a revolução industrial, onde os rios pareciam servir apenas para captação da água necessária para a produção e descarte dos resíduos da indústria, muitas vezes altamente tóxicos, resultando em rios poluídos e até mortos. Fato é que mesmo depois de tanto tempo e com tanta tecnologia, ainda estamos pagando o preço por este descaso. Enchentes, estiagens, poluição, doenças, são só alguns reflexos disso tudo. Espero que a comemoração do dia 24 tenha servido para refletirmos acerca da importância em conservarmos nossos rios e investirmos ainda mais pesado no sentido de tentar reverter todo o estrago que causamos.

Gilson Santos é Jornalista com especialização em Ciência Políticas e atual presidente da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, do Governo do Estado do Paraná. Contato: gilsonjsantos@comec.pr.gov.br

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