A crise hídrica e o planejamento das cidades – Jornal de Colombo

A crise hídrica e o planejamento das cidades

É praticamente impossível refletir sobre nossas cidades sem levar em consideração a atual crise hídrica pela qual passa não só a Região Metropolitana de Curitiba, como todo o nosso Estado. O nível médio dos reservatórios que abastecem a nossa Região está em 34%. A represa do Iraí, que fica entre Pinhais e Piraquara, e a barragem

Foto: Gilson Abreu/ AEN

É praticamente impossível refletir sobre nossas cidades sem levar em consideração a atual crise hídrica pela qual passa não só a Região Metropolitana de Curitiba, como todo o nosso Estado. O nível médio dos reservatórios que abastecem a nossa Região está em 34%. A represa do Iraí, que fica entre Pinhais e Piraquara, e a barragem de Piraquara estão hoje com cerca de 20% das suas capacidades e a previsão é de que a situação se normalize apenas em 2021. Segundo a Sanepar, se não tivermos uma redução de 20% do nosso consumo, corremos o risco de ficar sem água e nós cidadão temos a obrigação de contribuir para que está situação não se agrave ainda mais. 

Mas precisamos compreender também o que está causando este problema. É claro que as mudanças climáticas são fenômenos já constatados em todo o mundo, e que refletem ações do homem no meio ambiente de forma global, mas é impossível negar também que nossas ações, de forma local, contribuem para o agravamento do problema. Mais do que isso, a hídrica está diretamente ligada ao crescimento das cidades, pois muitas vezes esse crescimento, quando ocorre de forma descontrolada e não planejada, compromete a permeabilidade do solo, a qualidade dos nossos mananciais e até mesmo a capacidade destas represas de atender a crescente população. 

A Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba – Comec, é um órgão fundamental nesse momento, pois entre suas atividades, em especial dos Departamentos de Controle e Uso Territorial – DCOT, e de Planejamento, estão a proteção das áreas de preservação e mananciais, a anuência de projetos de condomínios, loteamentos e desmembramentos, auxiliar municípios na elaboração dos seus planos diretores e a elaboração do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado – PDUI da RMC – uma grande plano que vai responder perguntas como: para onde as cidades podem ou devem crescer? Quais áreas deverão ser preservadas e quais devem ser preservadas ou são áreas de risco, com risco de enchentes e desabamentos? Quais obras são consideradas prioritárias para a administração pública e portanto devem ser priorizadas? Quais ruas deverão ser atendidas pelo sistema de transporte coletivo e qual modal deverá ser priorizado? Que tipo de construções são permitidas em determinadas áreas – residências, prédios comerciais, indústrias? E quem são os responsáveis pela tomada de decisão?

Todas estas questões são complexas, importantes, e que devem ser debatidas com toda a sociedade, pois irão construir as cidades que nós queremos, e que se bem construídas evitarão diversos problemas, entre eles a estiagem que enfrentamos no momento.

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