Curto Circuito Italiano - Jornal de Colombo

Curto Circuito Italiano

Curto Circuito Italiano

A seguir, confira o poema “Curto Circuito Italiano”, de autoria de Mel Reinehr e Adegmar Candiero, seguido da tradução e da leitura em italiano na voz da tradutora, a professora e mestra em antropologia Vanessa Durando. O poema será publicado pela Editora Humaita no  livro “História e Cultura Afro-colombense: rompendo o consenso da invisibilidade e a

A seguir, confira o poema “Curto Circuito Italiano”, de autoria de Mel Reinehr e Adegmar Candiero, seguido da tradução e da leitura em italiano na voz da tradutora, a professora e mestra em antropologia Vanessa Durando. O poema será publicado pela Editora Humaita no  livro “História e Cultura Afro-colombense: rompendo o consenso da invisibilidade e a visibilidade do consenso”, ainda no prelo. 

Curto Circuito Italiano

Com pouco mais de um século da longa história
de milhares e milhões de anos
desde o paleolítico até hoje, Colombo dos políticos,
um curto circuito Italiano.

É bem curto o circuito da narrativa oficial
que nega a presença e as contribuições
das diversas etnias africanas e indígenas.
Brasilidade caiada, soterrada e esquecida.

Caboclos da Nação Tingui com seu nariz afilado.
Colombo dos povos originários… silvícolas.
O apagamento da presença ancestral
faz brotar meus olhos d’água.

Colombo das cavernas da pré-história,
Da idade da pedra polida, da mão de pilão.
Colombo da Casa de Pedra Furada,
nossa Lapinha, a Gruta do Bacaetava.

Colombo luso-afro-tupiniquim,
Colombo dos escravocratas,
exploradores do Atuba  
e dos faiscadores do aluvião.

Na primeira povoação do planalto,
antes da capital do território hoje chamado de Paraná,
rio grande como o mar,
a terra dos meus ancestrais… Odoyá!

Pouco se fala do ouro e da Casa de Fundição Real
antes das grandes Minas serem encontradas
por um africano que havia estado
em Curitiba e Paranaguá.

Prezados ítalo-colombenses,
a disputa de narrativas entrou em curto,
espalhou faíscas e quase destruiu
uma história repleta de melanina…

Vamos recontar as histórias?
Promover um novo ponto de vista?
Municipalidade tenha consciência, coração, ternura…
O assunto é justiça social. Não fique rubra.

A memória esmagada como uma uva
ofende os ancestrais, desrespeita as anciãs,
assassina a consciência crítica das nossas crianças
e a municipalidade não vê esta discrepância na historiografia local?

Quase mataram nossa memória ancestral.
Cultura enxertada… Faltou honestidade intelectual
dos nossos cândidos historiadores.
Empurrando um “vino amaro” na goela do povo.

Uma Colombo Paranista
semeando parreirais de eugenias,
deturpando o nosso conhecimento,
embriagando nosso discernimento e causando confusão.

Um projeto de meias verdades
que promove desidentidade, desigualdade e engano
está derretendo, sucumbindo, se queimando…
Faltou visão administrativa nesse aparthaid social velado.

Ahhh, Colombo das quarenta famílias
com seu imperial subsídio e cotas de terras,
da Colônia Farias e da Colônia Antonio Prado
há muito habitadas pelos herdeiros das sesmarias.

Posseiros, rendeiros, fazendeiros
dos quais temos pouca notícia
já que a historiografia só registra uma fatia
bem recente da história branca eugenista.

Hoje cunhamos uma nova palavra: afro-colombenses…
A Colombo Negra representa 33% da população.
Colombo também se identifica como preta
desde antes da “imigração”.

Diversas etnias africanas e uma população contemporânea
que contribuiu e contribui com inteligência e impostos
para o desenvolvimento de um segmento da  população,
a maior “Colônia Italiana do Paraná”.

Investimentos ao “Vêneto”..
Não chegam no gueto, nas vielas
da Colombo de quase todas as gentes,
no Paraná insurgente.

Cidade  que teima em firmar uma falsa identidade.
Nega sua ancestralidade, os povos indígenas,
Nega seus negros e negras… Os  lusitanos… Os africanos
e, hoje, os irmãos haitianos e venezuelanos.

Se faz necessário restabelecer a verdade.
A história contada nos livros não é a História da  cidade,
é somente uma parcela da história da imigração
dos nossos irmãos descendentes da Itália ….

O hino de Colombo não retrata a nossa história.
Os imigrantes são os pioneiros?
Não, eles são a segunda leva…
Cotistas patrocinados pelo governo da província.

Sua contribuição foi importante, mas está sobrecarregada…
Sejamos responsáveis com a nossa história
instalando, hoje, uma Colombo mais igualitária,
com mais isonomia, menos eugenia
e um pouco de reflexão.

Cortocircuito Italiano

Con un po´ più di un secolo di lunga storia,
di migliaia e migliaia di anni,
dal paleolitico ad oggi, Colombo dei politici,
un cortocircuito italiano.

È molto corto il circuito della narrativa ufficiale
che nega la presenza e i contributi
delle diverse etnie africane e indigene.
Brasilianità sbianchita, sotterrata e dimenticata.

Caboclos della Nação Tingui con il loro naso affilato.
Colombo dei popoli originari…selvaggi,
l´omissione della presenza ancestrale
fa scorrere le lacrime dai miei occhi.  

Colombo delle caverne della preistoria,
dell´età della pietra, del pestello.
Colombo della Casa de Pedra Furada,
la nostra Lapinha, la grotta di Bacaetuva.

Colombo luso-afro-tupiniquim,
dei popoli originari, neri e luso-brasiliani.
Colombo degli schiavisti, esploratori di Atuba
e dei neri cercatori d´oro.

Tra la prima popolazione dell´altopiano,
prima della capitale del territorio oggi chiamato Paraná,
un grande fiume come il mare,
la terra dei miei ancestrali… Odoyá!

Poco si dice dell´oro e della Casa della Fonderia Reale
prima che le grandi mine fossero scoperte
da un africano che era stato
a Curitiba e Paranaguá.

Cari ítalo-colombenses,
il conflitto di narrative è entrato in cortocircuito,
ha fatto scintille e ha quasi distrutto una storia piena di melanina….

Riraccontiamo la storia?
Proponiamo un nuovo punto di vista?
Che la municipalità abbia coscienza, cuore e tenerezza….
L´argomento è di giustizia sociale. Che non crei vergogna.

La memoria schiacciata come un grappolo d´uva
offende gli ancestrali, manca di rispetto alle anziane,
assassina la coscienza critica dei nostri bambini,
e la municipalità non vede questa discrepanza nella storiografia locale?

Hanno quasi ucciso la nostra memoria ancestrale.
“Cultura innestata” … non c´è stata onestà intellettuale
da parte dei nostri candidi storici.
Hanno fatto tracannare un “vino amaro” in gola al popolo.

Una Colombo Paranista
seminando vigne eugeniche,
deturpando le nostre conoscenze,
ubriacando il nostro discernimento e creando confusione.

Un progetto di mezze verità
che promuove “disidentità”, disuguaglianza e inganno
sta sciogliendosi, soccombendo, bruciando…
è mancata visione amministrativa in questo apartheid sociale velato.

Ahhh, Colombo delle quaranta famiglie
con i loro sussidi imperiali e quote di terra,
della Colonia Faria e della Colonia Antonio Prado
abitate da tempo dagli eredi delle sesmarias.

Proprietari terrieri, mezzadri, contadini
dei quali abbiamo poche notizie
già che la storiografia registra solo una parte,
ben recente, della storia bianca eugenistica.

Oggi coniamo uma nuova parola: afro-colombenses…
La Colombo Nera rappresenta il 33% della popolazione.
Colombo, anche, si identifica come nera
già da prima dell´ “immigrazione”.

Diverse etnie africane e una popolazione contemporanea
che contribuì e contribuisce con intelligenza e imposte
per lo sviluppo di un segmento della popolazione,
la maggior “Colonia Italiana del Paraná”.

Investimenti al “Veneto”
non arrivano al ghetto, alle stradine remote
della Colombo di quasi tutta la gente,
nel Paraná insorgente.

Città che si incaponisce ad affermare una falsa identità.
Nega la sua ancestralità, le popolazioni indigene,
nega i suoi uomini neri e donne nere… i lusitani… gli africani
e, oggi, i fratelli haitiani e venezuelani.

È necessario ristabilire la verità.
La storia raccontata sui libri non è la storia della città,
è solo una parte di storia dell´immigrazione
dei nostri fratelli provenienti dall´Italia….

L´inno di Colombo non racconta la nostra storia.
Gli immigrati sono i pionieri?
No, loro sono il secondo flusso…
azionisti patrocinati dal governo della provincia.

Il loro contributo è stato importante, ma è sovrastimato….
Siamo responsabili della nostra storia
creando, oggi, una Colombo più ugualitaria,
con maggior isonomia, meno eugenetica
e un po´di riflessione.

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